CRÍTICA DA SEMANA

HEISENBERG  — O PRINCÍPIO DA INCERTEZA (2024), DE SIMON STEPHENS

No sábado passado, assisti à peça de teatro Heisenberg O Princípio da Incerteza no Teatro Aberto. Escrita por Simon Stephens, a peça explora as relações humanas através do princípio da incerteza, um conceito da física quântica que, na arte do teatro, é transmitida através de uma poderosa metáfora. A peça desenvolve-se em torno de apenas duas personagens principais: Georgie Burst (Ana Guiomar) e Alex Priest (Virgílio Castelo). Georgie Burst é uma mulher excêntrica e impulsiva, o oposto de Alex Priest, um homem mais velho e resguardado. A incerteza é refletida desde o início, com o encontro acidental das personagens numa estação de comboios. Toda a dinâmica se desenrola de maneira imprevisível, onde a incerteza e a esperança caminham lado a lado.

Relativamente à atuação, Virgílio Castelo surpreendeu-me bastante. A sua naturalidade e profissionalismo na representação de Alex Priest são brilhantes; é
impossível imaginar outro ator no papel. Virgílio Castelo é Alex Priest.

Ana Guiomar destaca-se pela representação de uma mulher faladora e egocêntrica, mas sempre com o seu traço comediante. O seu carisma e senso de humor são muito benéficos para o papel.

Além disso, a inovação da presença de vídeos no meio das cenas foi uma ideia vantajosa. O facto de serem filmadas nas ruas de Londres concede a sensação
necessária ao público para imaginar a história a decorrer nesse espaço. O cenário também foi de uma criatividade que me cativou, utilizando blocos de madeira para construir diferentes ambientes, como a estação de comboios, a cama, o talho e os bancos de jardim. Simples e eficaz. Heisenberg O Princípio da Incerteza é, portanto, uma peça que cativa, pela sua profundidade e pela maneira como aborda os temas complexos através do simples encontro humano. A atuação brilhante de Virgílio Castelo e Ana Guiomar, a inovação cenográfica e o uso criativo de vídeos proporciona uma experiência teatral magnífica. Recomendo vivamente a quem aprecia um teatro com emoção, originalidade e inteligência.

Sofia Braga