Prémio de Teatro Carlos Avilez 2026

O Bruto e a Bruta, de Constança Bourgard

declaração do júri

O júri do Prémio de Teatro Carlos Avilez SPAutores / Teatro Aberto 2026, presidido por João Lourenço e constituído por Isabel Medina, Rui Mendes e Tiago Torres da Silva, pela Sociedade Portuguesa de Autores, e por Francisco Pestana, Patrícia André e Vera San Payo de Lemos, pelo Teatro Aberto, decidiu, por maioria, atribuir o Prémio de Teatro Carlos Avilez SPAutores/Teatro Aberto de 2026 à peça O Bruto e a Bruta, de Constança Bourgard.

De todas as obras a concurso, foi esta a que obteve maior consenso entre o júri quanto às potencialidades que reúne não só para a edição, mas principalmente para a sua transposição para a cena que, de acordo com o regulamento do prémio, ocorrerá no Teatro Aberto.

Em O Bruto e a Bruta, a autora convida-nos a uma viagem por um mundo por vezes grotesco, por vezes poético, onde a busca por alguma liberdade, que pode vir do sonho ou do jogo, se vê confrontada com limites e preconceitos. Embora esses não sejam os que encontramos comummente na sociedade, eles são, enquanto metáfora, identificáveis com os nossos próprios preconceitos.

Em O Bruto e a Bruta, um homem e uma mulher demasiado grandes para estarem inseridos na vida quotidiana encontram nos jogos que se baseiam em chamadas de valor acrescentado uma fuga para o que julgam ser os seus sonhos.

Em jogos de azar e de sorte, ambos vão compreendendo que não serão os prémios que lhes trarão a liberdade ansiada. Estarão para sempre presos nos seus corpos? Será a sua deformidade, em si só, um destino inultrapassável? Quem serão os Brutos afinal? Todos nós?

Estas e outras perguntas serão levadas ao palco por estes “brutos” imensamente sensíveis que semeiam no público um sem fim de perguntas a que urge responder.

O júri apresenta os seus parabéns à autora — Constança Bourgard — que, sendo dramaturga, também é atriz e traz a familiaridade com a cena à sua escrita teatral. É com muita alegria que lhe entregamos este prémio que tem contribuído nas últimas décadas para o fortalecimento da dramaturgia em língua portuguesa.

Viva o Teatro!