CRÍTICA DA SEMANA
O SENHOR PAUL (2025), DE TANKRED DORST
O Senhor Paul uma peça co‑escrita por Tankred Dorst e Ursula Ehler em 1994 e com encenação de Álvaro Correia, é uma peça que se centra na personagem de Paul um homem que vive com a sua irmã enclausurado em casa há muitos anos recusando sair e sem se preocupar com as mudanças que vão acontecendo no exterior do seu "mundo", papel interpretado de forma soberba pelo ator Miguel Loureiro . Mas tudo muda quando um jovem herdeiro interpretado por José Pimentão pretende ocupar a casa onde vivem Paul e a irmã e transformá la num negócio lucrativo o que implica desalojar os irmãos da casa onde vivem há muitos anos.
Assistimos assim a um embate entre a astúcia, inteligência, “resistência” silenciosa de Paul e o avanço do progresso / especulação imobiliária que cada vez mais descaracteriza as cidades modernas que obriga os moradores mais antigos a terem que se deslocar para a periferia devido aos interesses imobiliários.
Mais uma vez estamos na presença de uma peça intensa por vezes trágica, outras vezes cómica muito bem encenada e com excelentes interpretações que merece a nossa visita ao Teatro Aberto. É uma aposta muito valiosa que traz ao palco urgências contemporâneas com profundidade, joga com ambiguidade, propõe reflexão sobre o que consideramos progresso, sobre quem “fica para trás”, sobre a importância de uma habitação de um lar tão importante na nossa vida e no nosso bem-estar. É uma peça que desafia o espectador, pede quietude, exige olhar sensível e provavelmente recompensa quem acolhe esse ritmo e essa inteligência.
Carlos Ribeiro

